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Quantas mentiras foram ditas ao pé do ouvido. Quantos beijos à meia noite e quantos corações partidos. Quantos atarefados senhores passaram apressadamente sem notarem o belíssimo sol que estava a se pôr. Quantos músicos entoaram canções apaixonadas, tiradas de algum lugar no fundo de suas almas. Quantas mães e seus filhos pararam para um descanso, e quantas reprimiram o comportamento destes. Quantos amantes e suas mãos entrelaçadas sentiram o florescer da primavera, como a quem sente o nascer de um primeiro amor. Quantos pedintes imploraram por moedas, lamentando o caminho que fez suas vidas levá-los até ali. Quantos senhores venderam sorvete às belas pequenas que procuravam por algum alívio no calor do verão. Quantos outros senhores observaram as pernas bem delineadas das moças que por ali também passaram. Quantos descansos, quantos afagos, quantos resmungos, quantas discussões, quantas rupturas, quantos beijos, quantos abraços, quantos sentimentos compartilhados. Quanta história. Quanta humanidade.
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