Eu nunca vou saber como ou porque nos separamos. Parecia tudo compatível, igual, e o que não era igual nós íamos completando. Agora parecemos pessoas diferentes. Acredito que você mudou, mas você insiste, quem mudou fui eu. E era assim, a gente falava da vida e ria, a gente se provocava, a gente se evoluía. Lia o que você escrevia e achava tudo certo, racional. Agora, cada linha soa estúpida. Mas ainda sinto um certo carinho pelo que você representou na minha vida. Você acrescentou algo, diferentemente da maioria das pessoas que conheci. Essa é a verdade - algumas pessoas passam por nós sem acrescentar nada, como aquele ex-namorado que odiamos, ou aquele que fez tudo por nós, mas ao mesmo tempo não fez nada. Algumas pessoas, porém, passam e mudam. E é por isso que ainda o amo. Amo-o pelas boas conversas, pelas ideias novas e pela leveza que sentia ao pensar nelas. Amo-o por ter ido se encontrar comigo na chuva, só porque eu estava triste. Amo-o por ter me abraçado quando chorei. Amo-o por me fazer perceber que o dinheiro ou o status não importam, contanto que façamos o certo. Amo-o por ter sido como eu, pois assim não fui a única a pensar demais, a idealizar demais. Amo-o por ter reinventado o mundo comigo. Amo-o por me lembrar disso até hoje, quando me sinto fraca. Amo-o por tudo o que foi. Por tudo o que me ensinou. Amo-o por tudo o que fui, e tudo o que serei. Amo-o mesmo que você não exista mais, mas apenas por ter, em algum momento, estado lá, em carne e osso, ao meu lado. Agora acredito naquela velha frase - você levou um pouco de mim e deixou um pouco de você. Talvez por isso nossa linha de pensamento se separou. Nossa linha se partiu em duas, para que pudéssemos conhecer mais, vivenciar mais, e deixá-las mais resistentes do que apenas tentando igualar o que já era o mesmo.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
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